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15 questões sobre Homeopatia

CLASSIFICAÇÃO: Mito e Realidade - 26/11/2012

É verdade que no tratamento com a homeopatia o paciente primeiro fica ruim para depois melhorar? Por que muitas pessoas acreditam nisso?

A Homeopatia é um sistema terapêutico que se originou na experimentação e na observação dos resultados. Alguns pacientes apresentam, sim, uma exacerbação de seus sintomas (não da doença, portanto não podemos falar de piora da doença), pois acreditamos que o medicamento estimula a Energia Vital da pessoa, que passa a mostrar com mais exuberância o seu desequilíbrio inicial. Para depois, na sequência, reequilibrar-se, e o sintoma melhora. Porém, diferenciamos essa exacerbação com uma progressão normal da doença, pelo fato de existir uma melhora do estado geral percebida pelo paciente em todas as ocasiões. Essa exacerbação dos sintomas não é obrigatória, ou seja, não acontece com tanta frequência. Depende da doença, do indivíduo e da maneira como o homeopata conduz o tratamento.

O tratamento homeopático demora para fazer efeito?

O tratamento sempre começa com a administração da primeira dose do medicamento elegido, que já inicia seu efeito terapêutico desde o início. Dependendo da duração da doença, antes de iniciar o tratamento (que muitas vezes é crônica) e do estado da vitalidade do paciente, podemos ter melhoras mais rápidas ou mais lentas. Em casos agudos como um quadro de asma, um quadro febril ou uma dor proveniente de um uma cólica renal, a melhora tem que ser rápida se o medicamento for bem elegido (já fui  diretor de um pronto-atendimento homeopática 24 horas).

No tratamento homeopático os medicamentos da alopatia não podem ser usados em conjunto?

Os tratamentos homeopáticos e alopáticos podem, sim, ser usados conjuntamente. Um exemplo simples dessa situação é em uma infecção bacteriana em que temos o antibiótico agindo para diminuir o número de bactérias existentes enquanto o medicamento homeopático atua incrementando a imunidade e melhorando o estado geral do paciente. Nunca tiramos um anticonvulsivante, um anti-hipertensivo ou algum outro medicamento que já esteja sendo usado pelo paciente sem primeiro verificar sua melhora com o tratamento homeopático. Mas, se em um caso simples de dor de garganta com febre, sem pus, eu der o tratamento homeopático com um analgésico e um anti-inflamatorio, como poderei saber qual está agindo?

Por que existem pessoas que afirmam que “se não fizer bem, mal não faz”? Isso é verdade?

As pessoas que dizem isso estão menosprezando a Homeopatia. Se o medicamento elegido estiver corretamente indicado, o paciente vai, sim, melhorar. E, se não estiver, a progressão da doença vai ocorrer o que é um prejuízo para o paciente. O que existe de fundo de verdade nesta afirmação preconceituosa é que o medicamento homeopático não apresenta os mesmos efeitos colaterais de um medicamento tradicional, pois a substância originalmente selecionada está diluída e dinamizada em níveis infinitesimais e, portanto, não podem intoxicar fígado ou rins ou se depositar em outros órgãos como alguns medicamentos convencionais.

Durante o tratamento homeopático não pode tomar vacina? Por quê?

Esse é um mito. Talvez muito antigamente alguns homeopatas se opusessem às vacinas. Hoje em dia, isso não acontece. As vacinas são sempre recomendadas, e o próprio tratamento homeopático parte do princípio de atuar no organismo preparando-o melhor para melhor reagir. Isso é essencialmente o papel das vacinas. Cabe ainda dizer que o Dr. Samuel Hahnemann, criador da Homeopatia, era muito favorável ao uso da vacina da varíola existente na sua época.

A homeopatia pode ser considerada uma medicina preventiva? Por quê?

Sim, a Homeopatia é um tratamento preventivo por excelência porque analisa o indivíduo em todos os seus aspectos essenciais físicos e mentais, seu comportamento, suas emoções, seu estilo de vida, seus relacionamentos e, através da orientação, que é um aspecto essencial do tratamento, pode atuar preventivamente em vários desses fatores. Além disso, o medicamento homeopático atua profundamente, equilibrando a energia do indivíduo, melhorando o funcionamento de vários órgãos e sistemas que possam estar sem vitalidade ou com aumento exagerado de sua função. Mesmo uma pessoa sem doença evidente pode se beneficiar do tratamento homeopático com uma melhora de sua disposição e um equilíbrio maior em suas atitudes e emoções.

A homeopatia é eficiente para tratar as doenças crônicas? Por quê?

A Homeopatia não trata de doenças, mas de pessoas. E quase todas as pessoas podem se beneficiar do tratamento, pois todos temos suscetibilidades que nos desequilibram e todos temos sintomas, mais ou menos evidentes, que funcionam como válvulas de escape de uma panela de pressão. Algumas dessas válvulas, colocadas geneticamente pelos nossos fabricantes, apitam cronicamente, como as enxaquecas, as crises alérgicas, as crises de ansiedade etc. O medicamento age aumentando a resistência da panela e, portanto, as válvulas deixam de apitar com tanta frequência ou com tanta intensidade.

O tratamento homeopático é muito longo? Por que se costuma a pensar assim?

O tratamento não é mais longo que o tratamento alopático. Afinal o hipertenso ou o diabético tem que tomar medicações a vida inteira. O tratamento de um asmático é mais eficiente se tratarmos ele entre as crises, às vezes, por anos. Mas a expressão “doses homeopáticas” se tornou um sinônimo de paciência. Insisto que um quadro agudo deve apresentar melhora rápida com o tratamento homeopático, ou então é melhor mudar o tratamento. Porém, da mesma maneira que uma psicoterapia sempre pode ser útil, mesmo quando o paciente não está em crise, a homeopatia sempre pode e deve ser utilizada para manter o indivíduo saudável, e essa pode ser a razão para se pensar que o tratamento é longo.

É verdade que o tratamento da homeopatia é mais difícil pelo fato de ter de tomar as bolinhas de hora em hora? O que acontece?

São raros os tratamentos em que as bolinhas ou gotinhas são usadas de hora em hora. Em geral isso ocorre nos quadros agudos, quando precisamos estimular a energia do paciente reiteradas vezes. É como virar a chave do carro a álcool num dia frio. Mas, quando o carro pega e o paciente reage, as doses ficam bem espaçadas. Há homeopatas que trabalham com doses únicas do remédio de fundo. Outros optam por doses semanais. Tudo isso depende da linha homeopática (são várias) que se segue, da patologia que se quer tratar e da vitalidade do paciente e sua reação ao tratamento.

Para a homeopatia, as doenças somente surgem quando há um desequilíbrio emocional. Isso é uma verdade da homeopatia? Explique.

Nós homeopatas acreditamos que o indivíduo é um ser único, que não pode ser dividido em partes e que, quando ele adoece, todo o seu ser sofre. Se a causa do adoecimento (desequilíbrio da energia vital) for uma emoção forte, como uma perda, um choque, uma mágoa, um temor muito grande, então ele pode muitas vezes manifestar esse desequilíbrio no corpo, tendo uma gastrite ou uma diarreia (por exemplo). Mas o contrário também é verdadeiro, e muitas patologias essencialmente físicas afetam o humor, a disposição, as atitudes e, consequentemente, os relacionamentos das pessoas.

Os remédios homeopáticos são menos agressivos para o organismo do que os alopáticos? Por quê?

Sim, os medicamentos homeopáticos são isentos de efeitos colaterais. São manipulados a partir de substâncias de todos os reinos (animal, vegetal  e mineral) e, posteriormente, são diluídos e dinamizados para extrair o máximo de efeito terapêutico com o mínimo de substância. Eles não são tóxicos e, se houver ingestão acidental de um vidro inteiro de bolinhas por uma criança, a chance de algum mal ocorrer é quase nulo.

Remédio homeopático é bolinha de açúcar? Por que muitos acreditam nisso?

As bolinhas são de fato de açúcar, se mandarmos analisar no Instituto Adolfo Lutz, que faz uma análise bioquímica. Mas os medicamentos foram embebidos numa solução hidroalcoólica de alguma substância originalmente diluída e que passou por um processo de dinamização para aflorar a energia vital dessa substância a qual irá atuar na energia vital do indivíduo, assim como a pedra arremessada em um lago irá transmitir uma força a todas as moléculas de água desse lago, ainda que esse efeito não seja perceptível mais a olho nu.

A homeopatia funciona como um placebo? Explique.

Efeito placebo é a melhora constatada nos sintomas de uma pessoa por causa da sugestão. O medicamento homeopático atua em bebês, em pessoas com deficiência mental, em animais e, portanto, é pré-conceito minimizar o seu efeito terapêutico que já tem 200 anos de comprovação clínica, ainda que a literatura científica não seja igualmente relevante. Porém o efeito placebo também existe em qualquer ato terapêutico onde haja uma boa relação médico-paciente, o que não é exclusivo da Homeopatia, apesar de ser uma característica essencial. Muitas vezes eu já constatei que a “escuta” do paciente já em si exerce um função  muito terapêutica.

A homeopatia deve ser considerada como último recurso, quando o paciente já não sabe o que fazer? Explique.

Todas as pessoas podem se beneficiar do tratamento homeopático em qualquer tempo e em qualquer estágio evolutivo de sua doença. Muitas pessoas são reticentes ou céticas, não acreditam nos efeitos da Homeopatia e portanto não recorrerem a essa terapêutica, mas como estão insatisfeitas com os resultados da medicina tradicional resolvem tentar a Homeopatia. Acho que os preconceitos, que como o próprio nome diz são pré-conceitos, ou seja, conceitos que fazemos sobre algo que não conhecemos direito, atrapalham muito a Homeopatia. A única maneira de combater o preconceito é ampliando a informação. Isso beneficiará a todos. A postura de complementaridade da Homeopatia nos últimos anos tem facilitado sua aceitação por parte dos nossos colegas alopatas.

A homeopatia não atua em qualquer caso? Existem restrições? Explique.

A Homeopatia tem limites, pois não atua em situações cirúrgicas, ou em doenças terminais, a não ser como complemento do tratamento visando uma melhora do estado geral e da vitalidade do paciente. Vale ressaltar que o medicamento homeopático é um estímulo energético, e o sucesso do tratamento está intimamente relacionado com a capacidade do paciente de reagir a esse estímulo.  O sucesso do tratamento depende da capacidade do médico de individualizar o paciente, ou seja, de descobrir o que de importante, de essencial, de único existe no indivíduo. É uma terapêutica subjetiva, e o homeopata é muito mais falível que a Homeopatia em si.