Homeopatia

Verdades e Mentiras sobre a Homeopatia

CLASSIFICAÇÃO: Mito e Realidade - 27/12/2011

A maioria dos pacientes chega ao consultório do homeopata em busca de medicamentos para combater sintomas. Insatisfeitos por estarem tomando remédios “fortes”, dizem estar procurando a Homeopatia para se tratar de forma “natural”. Alguns chegam a se dizer a favor dessa terapêutica, pois “não gostam de tomar nada quando ficam doentes, no máximo, mel com limão ou chá de ervas”. Outros afirmam que os “remédios demoram a agir” e “é necessário tomar “bolinhas” o dia todo”. Antes que se critique esses e outros falsos conceitos em relação a Homeopatia, há que se considerar que vivemos com essas idéias largamente alardeadas por aí, inclusive por colegas médicos que desconhecem os princípios da Homeopatia.

Em primeiro lugar, a Homeopatia não visa apenas tratar sintomas ou doenças, mas sim pessoas, com características próprias e que adoecem de maneira particular por uma suscetibilidade especial a determinados fatores: climáticos (chuva, umidade, frio…); biológicos (vírus e /ou bactérias…) químicos (alimentação inadequada, poluição, uso de drogas…) e emocionais (raiva, sustos, mágoas, frustrações, estresse…). A maneira particular de adoecer, o papel da doença naquele momento da vida do paciente também é levado em consideração, não apenas para o diagnóstico, mas para a escolha do melhor tratamento.

Para se chegar a cura pelo tratamento homeopático é importante ter o diagnóstico clínico bem fundamentado na história clínica e no exame físico, as vezes complementado por exames laboratoriais e radiológicos. Nada a se estranhar. É o fundamento primordial da boa medicina, não importa se alopática ou homeopática.

Exemplo: uma amigdalite que surge após tomar chuva e que, em poucas horas, evolui com febre alta, tosse seca, dor de garganta,  rouquidão e irritabilidade responderá a um medicamento específico como o Aconitum napelus (os nomes são todos em latim). Já uma amigdalite de instalação lenta, acompanhada por hálito forte, gosto metálico na boca, sede constante e piora do estado geral pelo calor da cama e prostração responderá bem a outro medicamento, o Mercúrius solubilis.

O papel do homeopata é selecionar e hierarquizar corretamente os sintomas mais peculiares do caso para escolher o medicamento mais apropriado, mesmo se a infecção for bacteriana..Sim, uma infecção bacteriana pode ser tratada só com Homeopatia, porém o médico deverá estar atento ao estado geral do paciente bem como a evolução do tratamento proposto. Se necessário poderá recorrer ao uso de antibióticos. Afinal, um não atrapalha o outro, ao contrário do que se costuma pensar.  Mas na minha experiência, esses casos são exceções e não a regra.

Outro mito que devemos esclarecer: não há nada de natural no processo de dinamização do medicamento homeopático, que pode ser do reino animal, vegetal ou mineral. O que talvez seja mais natural é a maneira como o homeopata encara as doenças e a saúde, um processo dinâmico em que palavras como observação, auto-conhecimento, respeito às defesas inatas do organismo, equilíbrio e vida saudável sejam mais utilizadas. 

O homeopata é antes de tudo um educador e um pesquisador. Sua pesquisa no entanto é individualizada. E subjetiva e visa buscar as verdadeiras causas do adoecimento, mesmo antes da doença se instalar. Assim, podemos dizer que a Homeopatia é preventiva por excelência, pois age sobre a suscetibilidade do indivíduo a adoecer. Não é necessário esperar que uma pessoa ansiosa tenha sua gastrite documentada em uma endoscopia  para iniciar seu tratamento. Se ela preocupar-se demais com suas responsabilidades, for muito organizada, pontual e meticulosa em seu trabalho, de temperamento explosivo e gostar de alimentos condimentados, algumas doses de Nux vômica podem impedir que essa gastrite apareça ou se desenvolva. 

Cabe salientar que chás, xaropes a base de mel, essências florais e vitaminas não fazem parte da farmacopéia homeopática. Apesar de muitos homeopatas recorrerem a esses recursos terapêuticos.  Do mesmo modo, encaminhamos pacientes para a acupuntura, psicoterapia, massagens, quiropraxia, quando percebemos que o indivíduo pode se beneficiar dessas abordagens terapêuticas. 

Finalizando, devo salientar que nós, homeopatas unicistas, raramente recomendamos muitas “bolinhas” (glóbulos) ou com doses muito freqüentes. Pelo contrário, muitos pacientes tomam doses únicas ou repetidas apenas em intervalos semanais ou mensais. 

Deixe os pré-conceitos em casa, conheça melhor a Homeopatia e o que ela pode fazer por você.